Vamos chamar de a grande invenção, porque a grande arte já é nome de um livro (e de um filme inclusive), e chamar de o grande fingimento seria muito rude com a minha pessoa.
Digamos que todos os dias, em especial os de semana, eu faço de conta que está tudo bem. E as pessoas acreditam! Impressionante tudo que se vende na internet. Se a foto está bacana, logo, você está feliz. Fato é que tenho vivido meia-vida há meses. Como é isso? Bem, a vida plena que eu tinha, de emprego, viagens, amigos, essa está ainda lá em 2020 e ainda não consegui recuperar, muito por precaução desse vírus cretino, e mais precaução ainda das pessoas que fingem que ele não está aí.
Aí eu crio uma vida baseada no que posso, e não no que queria viver. Até porque para eu viver o que eu quero no momento, tem dependido de terceiros. Não vou abrir aqui o que é, quem sabe sabe, quem não sabe, saberá depois.
Mas segunda-feira, ah, aquele gato dos quadrinhos tinha razão, o Garfield, em detestar as segundas. Eu me sinto mais impostora que nunca nas segundas! Invento uma semana inteira, falsifico meu sorriso mais bonito (porque de fato, verdadeiro ou não, ele é bonito), e boto minha cara na rua como se tudo estivesse bem.
É daí que vem a grande invenção do título, porque nada mais é do que viver baseada em algo que criei para não entrar em depressão ou coisa pior. Eu tenho aceitado o agora (e viva o yoga por isso, vamos dar crédito), porque se eu pensar no futuro, pode ser muito ruim. Tampouco posso me voltar para o passado, erro pior ainda. Tampouco posso fingir que isso não está acontecendo, porque está e por isso eu registro.
A história da Maria Laura é a minha história, assim como todas as histórias da Agatha Christie eram baseadas n que ela vivia, embora ficção, embora forjadas para serem suspense. O que ela conhecia daquela sociedade, ela escrevia em nome de terceiros. O que a Maria Laura sente, só sente porque eu sinto.
Criar histórias é uma grande invenção!
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