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Férias na Praia


Laura estava feliz! Iriam para a Praia do Peró mais um ano. Ahhhhh, mal podia esperar, a menina! Sol, mar, a prancha de bodyboard rosa e branca da Elton, a pasta d´água no rosto, o biquini em vários tons de neon (característicos dos anos 80), as amiguinhas de diferentes cidades e estados, o sorvete de cacau do trailer da pracinha. Vocês sabiam que cacau é branco? Que a poupa vira sorvete e suco, e a semente que vira o maravilhoso chocolate? Pois a Laura descobriu tomando sorvete.

A menina-selvagem-amante-da-natureza finalmente um mês inteiro de pés no chão... as ruas de pavimento de terra do bairro afastado de Cabo Frio, que quando os carros passavam, levantavam poeira no caminho para a praia. O 'bugue' da tia Léia sempre recheado de crianças (como será que cabe!), as caminhadas do Peró às Conchas (catando conchas), as brincadeiras nas ruas de pique e esconde-esconde. Pêra-uva-maçã-saladamista escondido dos adultos, e o menino Rodrigo que mais parecia uma miniatura do He-Man com seu cabelinho asa delta descoloridíssimo querendo sempre beijar a Laura, que na hora 'H', tapava a boca com a camiseta. Laura só tinha 10 anos, ela ainda não queria beijar o mini He-Man, que inclusive era menor em tamanho que ela, apesar de ter 11 anos.

Acordar às 8h já de biquini e correr para a praia, voltar para o almoço, descansar a sesta na rede, e voltar às 15h para mais marolinhas na prancha. A Alícia só ficava de longe acenando, embaixo de um sombreirão, corpo bezuntado de 'rayito de sol', óculos de sol gigante tapando o verde-cobra da íris que inclusive combinava com o maiô verde-limão. Quando estava para ir embora, acenava e a Laura voltava. A Graça às vezes ia nos fins-de-semana com o namorado. A Graça era 12 anos mais velha, já não era criança e estava na faculdade de Pedagogia.

Laura ficava tão bronzeada que aí sim fazia juz ao apelido de índia, principalmente porque usava farta franja nos cabelos escuros. Acho que a Alícia fazia de propósito para alimentar o apelido, mas fato era que caía muito bem na menina o tal corte de cabelo.

Quando Laura recorda da casa de praia, vem a nostalgia dos melhores momentos de sua infância. Ali, no meio da areia, das brincadeiras, das amiguinhas, do atrevido do Rodrigo, de toda a liberdade que não tinha durante o ano entre as montanhas frias da serra, de sentir a brisa fresca e salgada do fim da tarde, do pastel de camarão da barraquinha, do sanduíche de atum da lanchonete, das conversas na varanda até altas horas, das dezenas de picolés e sorvetes que tomava por dia, a memória eternizada da felicidade em 30 dias.

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