A impressão que Maria Laura sentia era que estava sempre gritando por dentro, mas ninguém a ouvia. Anos assim, anos assim. Ainda é assim, ela precisa de ajuda, mas ninguém a ajuda. O desespero era tanto que ela cogitava suicídio, mas isso não a tiraria da dor, porque ela iria voltar com o mesmo fardo em outra encarnação.
Ela tinha que partir, ir daquele lugar, não importava para onde, apenas ir, apenas ir, apenas a estrada, apenas a estrada e ela. Que solidão não ter com quem dividir, que solidão! Que solidão ter que guardar aquilo, porque muitos já espichavam dedos imundos e críticos, imundos e críticos ao que não sabiam. Gaslighting... "não aconteceu, está na sua cabeça", "não foi bem assim, você que se lembra assim"... mas ela lembrava, ela tinha boa memória.
Desenvolveu ranço pelos psicólogos, a maioria só quer faturar, na hora da crise do paciente, pedem para esperar. Uma pessoa com a faca no pulso vai esperar? Uma pessoa com 30 comprimidos na goela vai esperar? E o dinheiro no bolso, bando de vermes, nem médicos são... Vermes são.
É a estrada, é o amor-próprio, talvez um ombro amigo, mas ela não queria ser fardo, todo mundo tem sua dor, ela não queria dar trabalho. Quem vem de lar amoroso se recupera mais rápido, quem vem de lar doente só vence por luta próprio e no amor, mas onde se acha o amor?
É muito difícil se curar, parece que a dor vem, de todos os pontos. De todos os lados. a grosseria, a violência, a falta de empatia, onde está o amor?
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