Maria Laura sempre ouviu o mesmo de Alícia. Que ela era insuficiente, que ninguém nunca iria querê-la, que ela era horrível, que era uma sifilítica (acredite, uma criança de 8 anos) quando ela tinha crises enormes de asma, todas de origem emocional.
A bronquite começou com 4 anos, depois de começar a presenciar seus pais se deglaiearem fisicamente, e muito violentamente quase todos os dias. A Graça, como era mais velha, fugiu adolescente para a casa do namoradinho na época e nunca ais voltou. Nunca, nunca mesmo. Mas a Maria Laura não podia ir muito longe, com 4, 5 anos.
Ela até tentou, arrumou a bolsinha do ballet e foi embora um dia, para 5 minutos depois ser encontrada pelo pai de carro. Ele perguntou "onde você vai"? Ela disse na propriedade de sua certeza infantil "para uma casa mais tranquila". Óbvio que ela não foi para esse lar. O pai foi embora depois da separação. Ele quis levar a Maria Laura, e acredite, teria sido melhor para a menina, ele tinha melhores condições econômicas e emocionais de cuidar da criança, mas raramente um juiz dá uma criança para o pai, e ela teve que ficar com a Alícia e sua vaidade, sadismo e crueldade.
Engoliu calada, porque sentiu pena da Alícia a li sozinha. Bem mais tarde ela vir que deveria ter ido, assim que completou 14 anos. As portas da casa do pai estavam abertas e com muito mais oportunidades. Ela só entendeu isso adulta, até porque a insanidade, sadismo, egocentrismo, perfídia e vício de Alícia duraram até sua morte, aos 93. Alícia era ao menos coerente, foi o que foi a vida toda, sem um pingo de remorso.
Pelo contrário, Maria Laura não podia ter opinião, que Alícia sempre a fazia sentir envergonhada de ter opinião própria. Era sempre "o que os outros vão pensar", "o que os outros vão dizer", "os outros estão escutando", "os outro, os outros, os outros". A opinião social importava mais praquela mãe que os sentimentos e anseios dos filhos.
Quando a Maria Laura já estava adulta, ela sempre tentava perdoar a Alícia por isso, mas sinceramente, lá no fundo era impossível perdoar um ser tão horrível.
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