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Lista do que pode e não pode - leave or let go

 Na vida, vamos cometer erros. Até quando tentamos o melhor, pode não ser o suficiente. O bom é reconhecer, abraçar os erros, as vergonhas, os medos, e também a lição que aprendemos. O que nos realmente nos leva p frente é gratidão, prestar atenção nas pequenas coisas, nos gestos, nas alegrias sem preço dos dia a dia. Sabe o que ajuda muito? Tirar as distrações do dia-a-dia e manter a mente ocupada em tarefas, seja trabalho, seja música, dança, esportes, qq forma de arte. Internet nos consume, que tal abrir um livro? Que tal chamar um amigo ou parceiro para uma caminhada, um café?  A vida não é dura nem fácil, é os dois. Dizer que abraçar o difícil é bom, é meio estranho, mas aceitar o ruim, e abraçar o tranquilo. Viver o momento é a o real poder. Nada acontece que não agora. Para acabar com a ansiedade, ou a angústia. Passado já foi, futuro a gente não sabe com exatidão, então o hoje é tudo que temos. Perdoar, por exemplo, diz mais sobre a gente que os outros. O perdão ele li...

Onde anda o amor?

 Há muito não sei o que é um dia normal. Veja bem, em pelo 2024, e não consigo projetar o futuro além do próprio dia que estou vivendo. Fiz aniversário recentemente, idade não me afeta, envelheço com saúde  e sem esses procedimentos malucos que as pessoas estão optando em colocar em seus corpos, mas não dá para dizer que estou completamente feliz. Cada dia que passa e eu sem rumo. Sabe o que mais me falta? Amor! Parece clichê mas acho que amor no final das contas é o que te mantém vivo. Se você é foi, é ou está privado de amor, você realmente tem um problema. Um abraço, uma palavra de afeto, um beijo, eles fazem milagres. Eles te mantém vivo em todas as esferas. não existe fracasso quando se tem amor. Você pode ter todo o dinheiro do mundo mas sem amor, você é apenas um ser muito bem amparado por coisas. E olha que tenho procurado. Ou o amor nos acha ou não achamos ele. Não adianta procurar, ainda mais numa era de pessoas vazias e ocas. Elas estão escolhendo solidão e falta de...

Os Recomeços com Recomeços

  Uma vez eu li que existe um provérbio Chinês que parece bem bonito e positivo mas carrega uma maldição: "Que você tenha uma vida interessante!" Uma pena que tamanha diversidade abençoada possa estar disfarçada de sina. Fato é que desde que me entendo por gente, nunca tive a paz de uma vida tranquila e estabilizada. Sempre - e eu digo sempre - foi um furacão de acontecimentos, uma tsunami de informações. E olha que essa que vos escreve é da época que não tinha internet e a pesquisa era feita em revistas, jornais, enciclopédias e bibliotecas. Que saber? Ótimos tempos! Cada vez tenho mais certeza que muita opção - no caso atual, muita informação - é opção  nenhuma. Voltando as voltas que minha vida dá, está relacionada a tudo: mudança de casa, cidade, país, emprego, amigos. Nunca posso me acomodar a ponto de esquentar um lugar que lá vou eu de novo! Até que nesse específico momento da minha vida estou conseguindo crescer no meu emprego (mesmo!), que apesar de não ser algo muit...

Dia da Lua

  Eu nasci numa Segunda-Feira de lua cheia. Conheço poucas pessoas que nasceram numa Segunda, além de mim. Para ser sincera, acho que ninguém. Em outros idiomas, a Segunda-Feira é o dia da lua, em inglês Monday vem de de "moon-day", e em Espanhol, Lunes, faz referência a "la luna", assim como em Francês também, Lundi como "la lune". Ou até mesmo em Italiano, Lunedi, de luna. Parece que só na minha língua é "diferentona". Idiomas a parte, sempre me identifiquei com esse satélite distante e brilhoso. Se a lua tem fases, como ela eu também, e da mesma forma como ela muda, minha vida muda de uma hora para outra, muitas vezes sem eu mesma desejar. Por ser o primeiro dia útil de trabalho na maioria dos países, algumas pessoas acham a Segunda difícil. O personagem de Jim Davis, o gato Garfield tem uma tirada clássica: "I hate Mondays! (Eu odeio Segunda).  Eu não sou diferente da maioria. Não detesto, não evito, nem tampouco por preguiça, mas energé...

A Grande Invenção

  Vamos chamar de a grande invenção, porque a grande arte já é nome de um livro (e de um filme inclusive), e chamar de o grande fingimento seria muito rude com a minha pessoa.  Digamos que todos os dias, em especial os de semana, eu faço de conta que está tudo bem. E as pessoas acreditam! Impressionante tudo que se vende na internet. Se a foto está bacana, logo, você está feliz. Fato é que tenho vivido meia-vida há meses. Como é isso? Bem, a vida plena que eu tinha, de emprego, viagens, amigos, essa está ainda lá em 2020 e ainda não consegui recuperar, muito por precaução desse vírus  cretino, e mais precaução ainda das pessoas que fingem que ele não está aí. Aí eu crio uma vida baseada no que posso, e não no que queria viver. Até porque para eu viver o que eu quero no momento, tem dependido de terceiros. Não vou abrir aqui o que é, quem sabe sabe, quem não sabe, saberá depois. Mas segunda-feira, ah, aquele gato dos quadrinhos tinha razão, o Garfield, em detestar as segun...

Pó, cinza e nada

Maria Laura conseguia entender porque um viciado ou alcoólatra lutavam tanto para fugir do vício: é mais fácil escapar da realidade quando algo te entorpece. Mas ela não tomava nada, e aí se sentia presa na realidade, e angústia no peito, só via o que realmente somos: pó, cinza e nada. Pó, cinza e nada!  Florbela Espanca, a escritora portuguesa, já tinha escrito isso. Ela se matou! Virgínia Woolf se matou! Sylvia Plath se matou! Clarice fumou tanto que se consumiu. Bukowski fumou e bebeu tanto que se consumiu. Seria a sina de quem escreve, ou até quem raciocina, retiar-se da vida, ou entorpecer-se até o fim? Maria Laura escrevia para desentorpecer. Lia muito antes de dormir para ter tenros sonhos, em que tinha uma vida livre, numa paisagem bonita, com uma companhia agradável. Essa noite mesmo, sonhou que estava na cidade grande, não sabe qual, mas tinha muitos tijolos nas construções. Não estava sozinha, tinha um rapaz alto com ela. Viu ele muito bem até. Era como se estivesse lá. ...

As pequenas coisas

  São as pequenas coisas! As pequenas coisas, que nos botam para cima, nos animas, nos dão sabor a vida. Também as que nos matam, nos botam para baixo, nos aniquilam. As pequenas coisas, as que as pessoas acham que não têm importância, ou não dão importância. As pequenas coisas, que viram gotinhas, gotinhas que um dia transbordam um oceano de coisas bem maiores mas também mais suportáveis e perceptíveis que as pequenas coisas. Posso nadar num oceano de grandes trivialidades sem me afogar, mas as pequenas coisas, essas matam como câncer, silenciosa, lenta e cruel.

Gritando por dentro

 A impressão que Maria Laura sentia era que estava sempre gritando por dentro, mas ninguém a ouvia. Anos assim, anos assim. Ainda é assim, ela precisa de ajuda, mas ninguém a ajuda. O desespero era tanto que ela cogitava suicídio, mas isso não a tiraria da dor, porque ela iria voltar com o mesmo fardo em outra encarnação. Ela tinha que partir, ir daquele lugar, não importava para onde, apenas ir, apenas ir, apenas a estrada, apenas a estrada e ela. Que solidão não ter com quem dividir, que solidão! Que solidão ter que guardar aquilo, porque muitos já espichavam dedos imundos e críticos, imundos e críticos ao que não sabiam. Gaslighting ... "não aconteceu, está na sua cabeça", "não foi bem assim, você que se lembra assim"... mas ela lembrava, ela tinha boa memória. Desenvolveu ranço pelos psicólogos, a maioria só quer faturar, na hora da crise do paciente, pedem para esperar. Uma pessoa com a faca no pulso vai esperar? Uma pessoa com 30 comprimidos na goela vai esper...

Não há cura onde houve a dor

Maria Laura sempre ouviu o mesmo de Alícia. Que ela era insuficiente, que ninguém nunca iria querê-la, que ela era horrível, que era uma sifilítica (acredite, uma criança de 8 anos) quando ela tinha crises enormes de asma, todas de origem emocional. A bronquite começou com 4 anos, depois de começar a presenciar seus pais se deglaiearem fisicamente, e muito violentamente quase todos os dias. A Graça, como era mais velha, fugiu adolescente para a casa do namoradinho na época e nunca ais voltou. Nunca, nunca mesmo. Mas a Maria Laura não podia ir muito longe, com 4, 5 anos. Ela até tentou, arrumou a bolsinha do ballet e foi embora um dia, para 5 minutos depois ser encontrada pelo pai de carro. Ele perguntou "onde você vai"? Ela disse na propriedade de sua certeza infantil "para uma casa mais tranquila". Óbvio que ela não foi para esse lar. O pai foi embora depois da separação. Ele quis levar a Maria Laura, e acredite, teria sido melhor para a menina, ele tinha melhores ...

Bater Asas

Laura queria sair pelo mundo! Bater asas e voar. Não precisava de circo para isso. Ok que o circo seria divertido, ainda mais a idéia romântica e antiga de um (a caravana de trem, cortando o país). Nem estradas de trem quase existiam. as poucas em seu país eram para minério-de-ferro. As antigas de passageiros foram desativadas há muito, e bota muito nisso. Uma pena! Viajar de trem é rápido e uma delícia.  Os planos estavam traçados, mas silenciosamente. "A palavra é de prata, o silèncio é de ouro", já dizia o ditado. Muito justo, pois que divulgar pode fazer os planos esvaírem. Tem muito 'olho gordo', disso ela tinha certeza, ainda mais sendo criada no interior. Ô supertição mais verdadeira que essa. Sabe, né, que o 'olho gordo' nem sempre é intencional. A pessoa nem sempre faz por mal (mas faz), então a Laura queria mesmo tudo muito sigiloso para não dar errado. Sonhava alto, essa Laura! Seus vôos estavam longe de serem rasantes, mas estratosféri...

Baila Comigo

A Laura amava dançar! O amor era antigo, a Alícia botou a Laura na dança com apenas 4 anos porque a menina era demasiado desembaraçada e ativa, e a Alícia trabalhava muito (e quando não estava no trabalho, estava no salão fazendo unha, cabelo, sombrancelha e depilação). A escola de dança era o lugar em que Laura ficava  quando não estava na Escolinha. Fazia de tudo, ballet clássico, jazz, sapateado e contemporâneo. Ou seja, 5 dias na semana, 2x vezes por dia, estava a Laura de sapatilhas e malha. A Graça ia levar e buscar às vezes, nas outras era a Itália, uma senhora que fazia as honras de lavadeira e faxineira. Mas a Itália gostava da Laura, porque a Laura era muito falante e contava muita coisa diferente que a Itália nunca ouvira falar. Itália tinha 6 filhos e 12 netos (numa casa de 3 cômodos), estava acostumada com casa cheia, mais uma pimpolha não fazia diferença de cuidar. Laura gostava de ir para o lugar simples e aconchegante porque a Itália fazia pastel de vento e...

Férias na Praia

Laura estava feliz! Iriam para a Praia do Peró mais um ano. Ahhhhh, mal podia esperar, a menina! Sol, mar, a prancha de bodyboard rosa e branca da Elton, a pasta d´água no rosto, o biquini em vários tons de neon (característicos dos anos 80), as amiguinhas de diferentes cidades e estados, o sorvete de cacau do trailer da pracinha. Vocês sabiam que cacau é branco? Que a poupa vira sorvete e suco, e a semente que vira o maravilhoso chocolate? Pois a Laura descobriu tomando sorvete. A menina-selvagem-amante-da-natureza finalmente um mês inteiro de pés no chão... as ruas de pavimento de terra do bairro afastado de Cabo Frio, que quando os carros passavam, levantavam poeira no caminho para a praia. O 'bugue' da tia Léia sempre recheado de crianças (como será que cabe!), as caminhadas do Peró às Conchas (catando conchas), as brincadeiras nas ruas de pique e esconde-esconde. Pêra-uva-maçã-saladamista escondido dos adultos, e o menino Rodrigo que mais parecia uma miniatura do He-...

Parente-Serpente

Os olhos verdes de Alícia, apesar de bonitos, não escondiam a malícia da serpente que era. Pútreda, ardilosa e má. Na voz doce, disfarçava para alguns desavisados as intenções demasiado baixas e egóicas da ex-miss que envelheceu e se condoeu de ter filhas tão distintas em aparência. Nunca disfarçou que amou a mais velha, que era linda indiscutívelmente por fora, porém oca e desinteressante por dentro. E que também indisfarçadamente desprezava a mais nova, a com cara de índio aymoré. Como o preconceito é nojento, e real, e podre, e incrustrado até no seio familiar. Quanta hipocrisia dos que o negam, e esses são muitos! Ironia das ironias, era exatamente a 'índia' que corria atrás de Alícia, e a cuidava, e a ajudava, e a venerava inocentemente, a que sempre esteve ao seu lado. Mas até o sempre tem limite! Como  os contos de Grimm, Alícia era o esteriópo da madrasta má: linda e cruel. Só que era mãe legítima. Mãe ? Seria bendito o fruto de um ventre macabro ?  Como algun...

O pai que não amou

O pai que não amou, em seu abraço que cala, em seu silêncio que corta. Na ausência-presença doída de quem esteva mas nunca esteve. Das exigências descomedidas de quem teve e nunca valorou o teve. Do enxofre da voz, da bile dos sentimentos. Da escassez de amor real e exceços de falsos predicados. Do 'shiiiiiiiii' silêncio, estou vendo o telejornal. Do nojo ao abraço da menina brincalhona, que com o gato num braço, e poodle no outro, correu para um afago e quase parou no hospital. 'A garota imunda, filha da natureza, meu jaleco de linho branco fino  e caro irar sujar.' 'Garota imunda, filha da natureza, pé no chão, shorts sem camiseta, assim não te quero. Quero a outra de laço e fita, quero a outra de toule e cetim.' E a mão que batia, e a voz que perjurava, dos insultos, do medo, da criança abalada. Dor, silêncio, ansiedade. Cresce Laura sufocada, sem voz, sem cor, sem corpo, só dor. Magra, cianótica, anoréxica e bulímica. Cresce Laura sem amor, a paul...

Defina Tédio

Defina tédio em poucas ou uma palavra! Prostração? Desânimo? Laura definia como 'cidadezinha do interior'. 

De Algodão Doce e Pipoca

“A vida deveria ser assim: ter cheiro de pipoca e sabor de algodão doce”, disse a mulher ao lembrar de sua infância passando em frente a um circo. Era raro ver um circo nos dias de hoje. Desses mambembes de estrada, não um modernoso como o de Soleil .  Seu nome era Laura Maria e tinha 43 anos. Nada definido na vida, que tal qual roda-gigante, sempre girava e girava e não saía do lugar não importava seu esforço. “Ainda fujo com o circo”, pensou. Nunca é tarde! Era moça da roça, mas tinha instrução. Era professora primária e levava muito jeito com a garotada. Mesmo assim, não tinha uma vida menos descomplicada. País em crise, grana pouca, necessidade muita. A escola que trabalhava estava em beiras de fechar. Seria a hora de fugir com o famigerado circo?  Falava idiomas, fazia planos, estudava até acrobacias, "vai que", pensava ela. E olhava para o circo, ali sendo montado, a poucos metros de casa. De onde teclo, ouço seus suspiros. Todo dia que ia tr...